Acordo com a cabeça a mil por hora. Ainda não caiu a ficha sobre a noite passada. Olho no relógio em forma de pinguim que ele me deu de presente de aniversário. São 15h. Realmente dormi tanto assim? Minha barriga ronca de fome. Mas não vou comer agora. Preciso escrever. Foi por isso que acordei. Preciso colocar isso tudo em um pedaço de papel. Procuro a caneca e o bloco de anotações. Está tudo em seu devido lugar. Tudo. Menos eu. Estou perdida, com um peso enorme nas costas. Preciso descarregar isso. O que mesmo? Ah, sim. Noite passada. Júlio. Não, Paulo. Ou seria o Pedro? Não interessa. Era ele. Voltou. Não queria, mas voltou. Voltou para me bagunçar, re-bagunçar. Queria que fosse um sonho, mas foi real, até demais. Ainda tenho as marcas. As visíveis e as internas. Cadê as palavras?
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Carta a um amor que se foi
Querido,
Você vai algum dia voltar pra casa? Entrar pela porta da frente me contando como foi o dia? Você vai algum dia voltar a reclamar do seu colega de trabalho que fala muito? Ou da sua chefe e seus sapatos irritantes? Você vai algum dia voltar pra casa e me encher de perguntas? Me perguntar como foi na editora ou rir de um caso de algum cliente?
A saudade é tanta que meu corpo chega a doer. A cama está tão grande e vazia, a casa tão silenciosa, a cozinha tão limpa. Lembro-me de seus momentos de reflexão matutina, em que você tentava me convencer que somos todos loucos, que temos consciência disso mas simplesmente ignoramos. Amo o seu jeito de ver o mundo, de se portar diante dele. Ver o mundo pelos seus olhos é algo que nunca vou me esquecer.
Sinto falta dos nossos momentos juntos, de como aproveitávamos o mundo. Gostaria de me desculpar por exigir que você fosse quem eu gostaria que fosse e não aproveitar quem você realmente é.
Sua amada.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Perguntas
O que é a palavra? Pra que serve a palavra? Até que ponto a palavra que escrevo reflete quem eu sou? Será que o que escrevo é o que sou? Ou será que a palavra que escrevo mostra apenas parte de mim? Ou será que a palavra que escrevo modifica quem eu sou? As palavras que escrevi são minhas ou são de quem lê? Até que ponto o que escrevo é meu? Até quando as palavras escritas podem preencher o vazio em mim exitente?
Seriam só palavras?
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
[livro] Lolita
"Um dos clássicos da literatura do século 20, Lolita é bem mais do que um romance. É o momento de reflexão do homem na meia-idade, diante do desafio da geração mais nova. No livro de Nabokov , o tema é centrado no relacionamento radical do boy meets girl, embora o homem em questão esteja longe de ser um rapaz e a moça não seja mais do que uma menina. Suspeito de ser um livro fácil, destinado ao escândalo, Lolita logo se firmou como uma obra prima - e foram muitos os que compararam Nabokov a Flaubert, não apenas pela capacidade na penetração psicológica, mas no show da técnica e na perfeição do estolo, a palavra justa no justo lugar da narrativa.
A trama que envolve os dois personagens principais escapa da simples intriga sexual e se transforma numa meditação sobre o tempo e sua velocidade. Tempo que retardou, no professor, a paixão que nunca sentira. Tempo que acelerou na adolescente, condicionada pelas circunstâncias de uma época que derrubava tabus milenares, o encontro com a maturidade precoce, a burguesa fracassada e exausta, sem direito ao desespero de uma Bovary antecipada.
Carlos Heitor Cony"
Um dos maiores clássicos (e polêmicos) romances (aqui me arrisco a dizer: da história), Lolita conta a história entre um homem de meia-idade e uma garotinha de 12 anos. A história é contada pelo protagonista enquanto aguarda por seu julgamento na cadeia. Humbert (protagonista) é europeu e se muda para os Estados Unidos. Lá, ele aluga um quarto na casa de Charlotte Haze, mãe de Dolores (Lolita, Lô, Dolly).
Humbert (chamarei somente de H. para facilitar) se apaixona por Dolores na primeira vez que vê a garota. E Charlotte acaba se apaixonando por H. Em todo tempo que morou lá, H. mantinha um diário em que escrevia todos os seus sentimentos por Lô. Após receber um ultimato de Charlotte ("casa comigo ou saia desta casa"), H. se casa com a mãe de sua amada ninfeta, apenas para não se distanciar dela. Um dia Charlotte descobre o tal diário e após uma discussão com seu marido, é atropelada e morre. H. busca Lolita no acampamento (desde o ultimato de Charlotte para H. até sua morte, Lô estava isolada em um acampamento de férias) e eles começam a viajar pelos Estados Unidos. E é a partir daí que a história realmente me prendeu.
H. atribuiu sua atração por garotas mais novas, as suas ninfetas, devido a um acontecimento trágico de sua adolescência: sua namoradinha morre. Os conflitos internos de Humbert são muito grandes, e a todo momento ele se justifica ao leitor. Ele tem consciência de ser um pedófilo mas ao mesmo tempo que mostra isso, ele também mostra seu grande amor por Lolita. Humbert é um personagem complexo, mas ele consegue se fazer entender.
"A bestialidade e a beleza se encontram num determinado ponto - e é essa fronteira que eu desejo fixar, mas sinto que meu esforço é totalmente vão."
Bom, agora em relação ao casal Humbert-Dolores, mudei minha opinião mais de uma vez durante o livro. Primeiramente, achava Lolita mais "inocente" (na falta de uma palavra melhor), que a suposta atração dela por H. era coisa da cabeça dele. Até que quando Lô está saindo para o acampamento, ela sai do carro e volta correndo para beijar H. antes de partir. Aí percebi uma atração de Lô por H. (que mais tarde mudaria minha opinião para "atração de Lô por homens mais velhos"). Na segunda parte do livro, que começa com as viagens dos dois, percebo que Humbert mais fazia a cabeça da menina do que ela realmente gostava de estar com ele.
"Já deviam saber que eu a amava - um amor à primeira vista, à última vista, a cada um a das vistas."
Humbert se mostra possessivo e ciumento, enquanto Dolores aprende a manipular seu "papai" e amante.
"Por tudo que você fez
Por tudo que não fiz
Você tem de morrer"
A leitura pode parecer enfadonha em muitos momentos devido às extensas descrições, mas não se deixe enganar. Super recomendo a leitura deste livro cheio de riquezas. Mas já adianto: vai mexer com você. E quem já leu, o que achou?
domingo, 21 de setembro de 2014
The safer danger
Primeiramente: sim, o texto é em inglês. E não, não vou traduzir.
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The story I am going to
tell is story of a girl who met a boy. She was pretty, she was confident, she
had auburn hair, and she was everything I want to be now. Her hazel eyes could
hypnotize any man she would ever come across. When she started talking,
everyone stopped to listen to her, even if it was only to listen to her voice.
She only had a problem: her friend. He was everything she loved and hated in
the same person. Anna and Aaron were just perfect to each other, but they could
also be the worst enemies. And sometimes they were.
Aaron was the kind of
boy you want to hug and hold. He was tall and he had wavy light-brown hair. He
had milky skin, with some freckles on his cheeks. His lopsided grin could make
Anna feels safe with him, but it also could make her want to have sex with him,
the kinkiest kind of sex. That smile made her want to try different things.
That smile made her want to do bad things.
They were always
arguing and it looked like it would be always like this: they couldn’t be
together, but they wanted so. Some friends said that one day they would have a
real fight; others said that they would marry. “It’s all about Freud”. How
could they marry if they hadn’t even kissed each other? How could they live
together until the end of their lives if they stayed five minutes together they
would start arguing? And how could they harm each other if they only cared for
each other?
They first met each
other in the line of a cafeteria close to the university. Aaron was the next
and she was just behind him. He was in doubt whether to order a Cappuccino or
an Espresso. She had just interrupted the customer service and asked why he
needed coffee.
“I just need to restore
my energy.” He said. She stared at him: he was really handsome. But at the same
time, he looked like that kind of guy that is always surrounded by cheerleaders
and hot girls.
“So take an Irish
Coffee[1]”, she said. For a moment,
she forgot what was she was going to order. Anna turned back her attention to
her cellphone. How could that happen? She had been used to order the same thing
for such a long time. How could a man she had never met before distract her
that way?
He ordered an Irish
Coffee, but didn’t have the chance to thank her until two years later. They met
each other again at a restaurant, at a friend’s birthday. And there they found
out that they were studying at the same university. He recognized her as the
girl from the cafeteria and said to her that Irish Coffee was the best part of
that day to him. They agreed on a date to have dinner together after classes at
the university in order to know each other better. And at that dinner was when they
realized how different they were. They had one of the most heated argument they
would ever have. They argued about crying. She didn’t believe in love. She had got hurt with love many times before, and it made her
as cold as an icy stone. It didn’t matter how much she was affected by
something, she was now an expert in hiding her feelings. On the other hand, he
lived with love, he lived for love and through love. He was love himself.
He was warm, romantic, and optimistic.
“C’mon, man. Honor your
balls! You shouldn’t stop a discussion just because a woman is crying.” Anna
said.
“Why not? I don’t like
woman crying. I feel responsible for it.” He replied.
“You’re just like the
frail woman of the relationship.”
He was getting mad at
being called a frail woman. How dare she?
He had to find a way to defeat her in this argument, but he realized that when
it were about emotions, she was more rational, and would always win.
“You have to overcome
what you’ve gone through. You cannot let you past experiences define what you
feel about emotions.”
“You know nothing about
this.”
The only way to win was making her feel things that she
wouldn’t allow herself to feel. But, how would he do it? He had to find a way.
He had to become closer to her and find out how to go through the wall she had built.
They become really good friends, and Anna felt safe with
him. She asked his help to talk to Ted, her crush, and it lasted until Ted asked
Anna to take nude photos. Aaron, on the other hand, was always talking about
every girl he was dating. They had grown a strong friendship, but also had a
physical connection, which was withdrawn by both of them. Anna didn’t want to
mess up their relationship, so if it had only depended upon herself, they would
never become more than friends.
“I have never met one of the girls you have ever dated”,
Anna started asking him that afternoon.
“Of course you haven’t. With all the ideas you have about
relationships and people, you would scare them.” He answered. “By the way, you have
never told me anything about James, you ex. Why did you break up? What
happened?”
“It was Crystal. He had been cheating on me with her. I
should have realized before… I should have noticed all signs before I had caught
them both together.” Noticing that he would ask for more information, she
re-started talking. “I would just make a surprise for him. He had been very
busy that week, and his car was broken. So I went to his office by the end of
the afternoon. When I got to his room… I saw them kissing.”
“What did he say?”
“He said that it wasn’t what I was thinking about. Why do
people always say that when they are caught cheating? I saw them kissing each
other. Even if it were the first time, it really happened!”
“It’s really a bad thing to say. Why don’t they just
assume they are cheating?” Aaron said. “Hey, I have I have an appointment with
a doctor now. I’ll call you later.”
And so he did. He called her. And Anna started talking
about Ted again. She was still mad with him because of the nude photo episode,
but she somehow thought that they could make it, that they could date someday. However
Aaron was different on the phone. He wasn’t asking about anything, he was just giving
monosyllabic answers.
“What’s the problem, Aaron?”
“Do you know what your problem is? I am always here,
asking about your day, asking about your life, listening to all you have to
say. You are the only girl I feel I can talk about anything I want and need to,
but you don’t let me to do so. You are not the same girl I met at the
restaurant. You used to listen to me. But now you only want to talk about your
silly problems!”
“Aaron, what has happened to you?”
“I have cancer, Anna! Cancer! There’s no cure to it! I am
going to die, so I don’t want to listen to you talking about any other guy anymore,
because I want you now! And at the
same time I want you by my side until the end, I don’t want to keep you close,
because you will get hurt. It’s cliché, a cancer cliché, but it’s true. I am a
grenade[2] and I will explode one
day. And yes, I took it from one cliché book-about-cancer-written-for-teenagers.
And I hate myself because of saying it all to you this way.”
“Are you home? I’m going there right now.” And she hung
up the cellphone. When she got to Aaron’s house, she said nothing. He said
nothing. Anna kissed him without thinking exactly what she was doing.
“You don’t have to do that. I hate myself.” He said.
“Please, do not always believe in what you say… don’t
leave me.”
The only thing he could think at the moment was: he got
it. Although later than he had expected, but he made her feel something towards
him. And it was more than just friendship, he was sure.
Aaron died one year later, after spending months at the
hospital. Anna stayed with him until the end, even when he couldn’t recognize
her anymore.
The girl of this story, dear, was me. I don’t regret
having had sex with him that night the same way I don’t regret the child I had
because of that night.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Qual o sabor do amor?
Qual o sabor do amor? O amor pode ter vários gostos e sabores, depende de como você o trata. Ele pode ter o delicioso sabor enjoativo de morango com leite condensado, mas pode azedar se você não der atenção suficiente ou você pode acabar enjoando se for com muita sede ao pote. O amor pode ter o gosto de um delicioso cappuccino, mas você pode queimar a língua se não for com cuidado.
Você pode se lambusar de amor, e ele pode acabar rápido. Você pode tomar doses racionais de amor, e ele pode durar mais do que imagina.
Um grande amor dura para sempre. Mesmo quando dura um só dia.
Você pode se lambusar de amor, e ele pode acabar rápido. Você pode tomar doses racionais de amor, e ele pode durar mais do que imagina.
Um grande amor dura para sempre. Mesmo quando dura um só dia.
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quarta-feira, 30 de julho de 2014
[livro] Uma noite e seis semanas - Tiago Morini
"Leila conheceu Mariane na adolescência numa época difícil, em que a mãe,
Clarice, lutava contra a leucemia. Logo se tornaram amigas e, com o
convívio, descobriram-se apaixonadas. Enfrentaram e superaram todos os
preconceitos para ficarem juntas, mas ainda que o amor fosse
reciprocamente verdadeiro e forte, uma notícia inesperada desarranjou
suas vidas, separando-as. De um lado, Leila busca uma explicação crível
para um problema inexplicável. Do outro, Mariane, cética quanto à
inocência de sua parceira, busca refúgio em um amigo de infância. Entre
elas, acontecimentos paralelos se desenrolam em obstáculos que, no fim,
convergem em um ponto comum."
O primeiro romance de Tiago Morini é surpreendente,
maravilhoso, comovente e claro, polêmico (talvez até tão polêmico quanto mamilos). O
livro aborda a homossexualidade, violência e religião, assuntos que são constantemente
evitados.
O começo pode dar a impressão de que vai ser apenas mais uma
historinha de amor. Mas não se deixe enganar!
Leila (Vermelha) perde sua mãe para o câncer e vai morar com
sua então amiga Mariane (Tilla). Mariane e Leila se descobrem apaixonadas. Além
de morar juntas, elas têm um gato. Com personalidades opostas e jeitos
diferentes de mostrar o amor que sentem uma pela outra, elas se encontram e se
ajeitam.
Leila consegue um estágio em um escritório de advocacia.
Após passar mal e ser levada ao hospital, sua relação com Mariane é abalada. Mariane
se vê perdida diante da aparente traição de sua companheira e busca refúgio em
um amigo de infância, Tomi. As duas seguem por caminhos diferentes então:
Leila, expulsa de casa, encontra refúgio com um pastor cliente do escritório;
Mariane tenta reconstruir acontecimentos passados ao lado de Tomi. Enquanto
Leila tenta voltar, Mariane descobre a verdade, porém algo trágico acontece.
Infelizmente o livro já é malvisto por muitas pessoas e foi
até queimado!! Muita gente não consegue ver que o mal não está na religião,
sexualidade, classe social, mas sim nas pessoas. Portanto, se você “não gosta
de gay”, não perca seu tempo. Maaaas, se você for uma pessoa madura o
suficiente, recomendo o livro (o final é top!)
Não interessa a forma como o amor bate à sua porta, ele não será educado. Entrará na sua vida e se instalará na sua casa, esteja ou não preparado para ele, e, acredite, o amor não distingue gêneros, apenas invade seu coração.
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Você pode comprar seu livro com o Tiago mesmo! No blog Um livro qualquer tem tudo explicadinho!Você pode também acompanhar a página no blog no Facebook e adicionar o livro na sua estante do Skoob.
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